MANIFESTO

SOBRE AS MÁSCARAS

Três são as razões pelas quais colocamos alguma coisa sobre o corpo: pudor, adorno e/ou proteção. Não são excludentes e, na realidade, normalmente, são associativas.

O ponto de vista religioso nos diz que foi pelo aspecto de pudor, ao percebermos a nudez no Éden e a consequente vontade de cobrir as partes pudendas pelo sentimento da vergonha. O ponto de vista científico não considera o pudor e nos diz que foi ou pelo aspecto de adorno e ou pelo aspecto de proteção. O adorno, para se diferenciar dos seus pares pois, é inerente à condição humana a vontade da diferenciação, a vontade da individualidade; e a proteção para sua preservação e segurança mediante as intempéries e/ou qualquer outra agressão externa, inclusive podendo ser dos seus próprios semelhantes. Sendo assim, essas razões se mesclam e, na maioria das vezes, ao usarmos algo sobre o corpo, as três premissas se fazem presentes.

No que diz respeito ao cobrir a cabeça, as três características também são consideradas e, ao cobrir a face, não é tão diferente assim. Sob a ótica religiosa judaico-cristã, a cabeça e a face encobertas com um véu, especialmente entre as nubentes, está associada à castidade, à pudicícia, à ocultação; entre as islâmicas o uso do chador (ou xador) e a burca, que também encobrem a cabeça e a face e que é de uso constante, estão totalmente ligados ao pudor, com as mesmas características anteriormente citadas. Mas, os dois outros aspectos não são esquecidos. Dependendo de como isso é feito e, com o uso de determinado material e seus complementos visuais, pode-se vincular também ao adorno e à proteção.

Todavia, ao longo de todo o processo histórico da humanidade, no que diz respeito ao cobrir o rosto, as máscaras estão presentes. Estas, por sua vez, podem estar vinculadas às três características e, hoje em dia, no ano de 2020 (e possivelmente, por um tempo bem maior) ao falarmos em máscaras, o primeiro pensamento associativo é o da proteção. Faz-se necessário para todos.

Antes do aspecto de proteção vale lembrar que a máscara, sob o aspecto do adorno, é uma forma muito antiga, que remonta à nossa ancestralidade, de ocultar a face no intuito de assustar ou intimidar o inimigo; de representar um papel; usada nas práticas mágicas para representação do sobrenatural ou até mesmo na ideia de personificação de animais ou outros seres humanos. É uma espécie de transformação que agrega mistério e ousadia, para se transformar momentaneamente em algo sem perder a referência do que se é. O processo de metamorfose pede em si a ocultação (como nas mágicas, que são encobertas). É o quem é, transformando-se no quem quer ser. Era assim tanto nas representações teatrais da Antiguidade Clássica Grega quanto nos rituais religiosos primitivos. Neste sentido, este tipo de máscara que oculta, tem um sentido simbólico por ser uma imagem de outro algo, do figurado, do representativo.

Diferentemente de quando associamos as máscaras à proteção, imediatamente nos vem à mente a preocupação com a saúde pessoal e/ou coletiva. E essa é a nossa grande realidade a partir de 2020, que imediatamente já entrou para a História devido à pandemia do Covid-19, o novo coronavírus.

Virus, em latim (sem acento), significa “veneno” e, veneno mata. Corona, também em latim, significa “coroa”, ou seja, um vírus que tem um formato que nos lembra uma coroa, que irradia algumas de suas partes. Invisível a olho nu, porém letal.

Portanto, precisamos nos proteger e aos outros também. Daí a necessidade do uso das máscaras. Se estas, além da principal característica atual da proteção, puderem ter uma bossa a mais, tornam-se mais agradáveis e mais suaves aos tempos, tanto para quem a usa como para quem observa. É a característica da proteção associada à do adorno.

E, além do mais, se tudo isso estiver ligado a um trabalho social de ajuda aos semelhantes, com a renda adquirida pela venda das máscaras revertida ao humanitário, tudo fica mais sublime e de elevação da condição humana na nossa passagem terrena. Com a aquisição de uma destas máscaras, saiba que você está praticando uma grande ajuda aos necessitados.

Certa vez, assistindo a um filme na televisão (não me lembro qual era), ouvi a fala de um ator, representando um médico num momento preocupante e pandêmico (como o filme mostrava), que o maior predador do homem não era o próprio homem, como todos dizem e sim o vírus. Nunca me esqueci desta fala e hoje (2020), curiosamente, vem a confirmação desta sentença.

Que não sejamos predadores dos nossos semelhantes, por qualquer que seja a razão, em especial neste momento, que o que mais precisamos é nos solidarizar e ajudar aos mais necessitados.

Eis uma iniciativa meritória de grande ação social, pela renda adquirida com a venda destas máscaras revertida à solidariedade, promovida pela FAAP-MODA. Muito obrigado.

João Braga
Setembro de 2020

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